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Petrobras e a Guerra no Irã: Refinarias no limite e pressão nos preços

Petrobras e a Guerra no Irã: Refinarias no limite e pressão nos preços

Com o barril de petróleo atingindo picos de US$ 88 e o conflito no Irã ameaçando o Estreito de Ormuz, a Petrobras opera com 95% de utilização para garantir o abastecimento nacional

O “Fator de Utilização” e a blindagem operacional

Atualmente, a Petrobras vive um dos seus maiores desafios operacionais da década. Recentemente, a companhia confirmou que o Fator de Utilização (FUT) de seu parque de refino deve encerrar o primeiro trimestre de 2026 na casa dos 95%. Por causa disso, as refinarias brasileiras operam quase em sua capacidade máxima para reduzir a dependência de importações, que se tornaram extremamente caras e arriscadas devido aos bloqueios logísticos no Golfo Pérsico. De fato, operar nesse nível de intensidade demonstra a eficiência técnica da estatal, mas também deixa pouca margem de manobra para paradas de manutenção não planejadas.

Certamente, o recorde de utilização é uma resposta estratégica à volatilidade externa. Frequentemente, a alta utilização das refinarias permite que a Petrobras processe mais óleo nacional, que é mais barato que o Brent importado. Todavia, a demanda doméstica por diesel e gasolina continua superando a produção interna em cerca de 20%. Consequentemente, a estatal precisa equilibrar o uso máximo de suas unidades com a necessidade de importar o restante em um mercado onde o frete marítimo disparou após o início das hostilidades no Irã.

A defasagem recorde e a política de preços

Além do esforço produtivo, o mercado financeiro monitora com lupa a política de preços da companhia. Por exemplo, nesta sexta-feira (06/03/2026), a defasagem entre o preço do diesel vendido pela Petrobras e a cotação internacional atingiu o recorde de 64%, enquanto na gasolina a diferença chega a R$ 0,29 por litro. Por outro lado, a presidente da Petrobras, Magda Chambriard, descartou em teleconferência de resultados qualquer reajuste imediato. Dessa maneira, a empresa mantém sua premissa de não repassar a volatilidade conjuntural de curto prazo para o consumidor final.

Apesar da postura cautelosa da estatal, refinarias privadas e importadores já começaram a elevar seus preços. Ademais, a Refinaria de Mataripe (Bahia) e a de Manaus (Ream) já repassaram aumentos que variam entre 11% e 22% nesta semana. Portanto, o Brasil vive hoje um “preço duplo”: um valor estável nas regiões atendidas pela Petrobras e aumentos significativos nas áreas dependentes de refinarias privatizadas. Por esse motivo, o governo federal monitora os impactos inflacionários que essa disparada do petróleo pode causar no IPCA de março e abril.

Lucros e dividendos em meio ao caos


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Com efeito, os resultados financeiros de 2025, divulgados ontem, dão fôlego para a empresa enfrentar a crise. Afinal, a Petrobras fechou o ano com um lucro líquido de **R$ 110,1 bilhões**, um salto de 200% em relação ao ano anterior. Enquanto o conflito no Irã pressiona os custos logísticos, a geração de caixa robusta e a produção recorde de 2,99 milhões de barris/dia funcionam como um amortecedor. Visto que a empresa está preparada para ser lucrativa mesmo com o barril a US$ 55, o patamar atual de US$ 85-88 gera uma margem de lucro confortável para novos investimentos em exploração.

Provavelmente, a Petrobras só revisará seus preços caso o conflito no Irã se torne um evento estrutural de longa duração, afetando o suprimento global por meses. Em suma, o “Fator de Utilização” em 95% é a principal arma da companhia para manter o país abastecido sem sucumbir ao pânico dos mercados internacionais. Por essa razão, a atenção dos investidores migra da geopolítica para a capacidade de execução técnica das refinarias brasileiras. Agora, resta saber até quando a estatal conseguirá segurar a defasagem recorde frente ao avanço da guerra.

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