SAFs e Política: O novo cabo de guerra no futebol brasileiro
Com a explosão de clubes-empresa em 2026, o Congresso Nacional e o Poder Executivo intensificam o debate sobre tributação, regulação e limites da influência política
A nova queda de braço tributária em Brasília
Atualmente, o futebol brasileiro deixou de ser apenas uma paixão nacional para se tornar uma peça estratégica no tabuleiro econômico de Brasília. Recentemente, a regulamentação da Reforma Tributária gerou um embate direto entre o Governo Federal e os clubes que adotaram o modelo de Sociedade Anônima do Futebol (SAF). Por causa disso, o presidente Lula vetou dispositivos que reduziam a carga tributária dessas empresas, mantendo uma alíquota mais alta do que a dos clubes associativos tradicionais. De fato, o Ministério da Fazenda busca aumentar a arrecadação, enquanto os donos de SAFs argumentam que o aumento de impostos sufoca novos investimentos.
Certamente, o lobby das frentes parlamentares ligadas ao esporte tenta reverter esses vetos no Congresso. Frequentemente, os parlamentares utilizam a popularidade dos clubes para ganhar capital político, transformando as votações sobre a Lei da SAF em verdadeiros palanques eleitorais. Todavia, a equipe econômica defende que a profissionalização do futebol exige o cumprimento das obrigações fiscais como qualquer outra empresa. Consequentemente, a incerteza jurídica sobre os impostos atrasa negociações de venda de clubes que ainda hesitam em fazer a transição para o modelo empresarial.
Regulação e transparência: O fim do “amadorismo político”?
Além das questões fiscais, o debate sobre a regulação externa das SAFs ganhou força com a proposta de criação de um órgão fiscalizador nacional. Por exemplo, novos projetos de lei visam impedir que políticos e grandes empresários utilizem os clubes como ferramentas de tráfico de influência ou lavagem de dinheiro. Por outro lado, donos de SAFs já consolidadas, como o Botafogo e o Cruzeiro, defendem que o mercado já possui mecanismos de governança e compliance suficientes. Dessa maneira, a discussão foca agora na proteção do torcedor contra decisões arbitrárias dos investidores.
Apesar da resistência dos clubes-empresa, a pressão popular por transparência nas contas exige mudanças. Ademais, as recentes investigações que cruzam interesses de dirigentes de clubes com contratos públicos reacenderam o alerta sobre a “contaminação política” no esporte. Portanto, o TSE e o Ministério Público acompanham de perto as doações de campanha de sócios de SAFs para as eleições de 2026. Por esse motivo, as novas regras de transparência obrigam as empresas de futebol a divulgarem a origem de cada centavo injetado nas janelas de transferência.
O cenário eleitoral e o futebol em 2026

Com efeito, o “palanque do futebol” será um dos mais disputados nas eleições de outubro. Afinal, candidatos ao governo e ao Senado em estados como São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais já utilizam a “salvação” de clubes tradicionais como promessa de campanha. Enquanto o mercado cobra segurança jurídica, os políticos buscam soluções populares que agradem as grandes massas de torcedores. Visto que o número de SAFs no Brasil ultrapassou a marca de 120 clubes em 2025, o impacto desse modelo na economia local é inegável.
Provavelmente, o governo anunciará um novo pacote de incentivos para o futebol feminino e categorias de base como contrapartida aos impostos elevados. Em suma, a influência da política nas SAFs em 2026 é um jogo de interesses onde a profissionalização luta contra vícios antigos. Por essa razão, a regulação equilibrada torna-se o único caminho para evitar que o lucro dos investidores destrua a identidade dos clubes. Agora, resta ao Congresso decidir se o futebol será tratado como uma indústria lucrativa ou como um patrimônio social intocável.



Deixe uma resposta